quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Início sem fim

É estranho como às vezes as coisas tem início e não tem fim. Isso pode parecer um pouco estranho, afinal tudo que começa tem um fim, não é? Comigo é estranho... comigo parece que nada tem um fim. As coisas que faço, as coisas que crio, os trabalhos que eu tenho que fazer... não consigo nem dizer que isso é um ciclo, porque até o ciclo tem um fim... que cai de novo em um início. Mas vá lá, até ele tem um fim. 

Eu sempre inicio coisas novas. Novas atitudes, novos hábitos (?), novas leituras. Novos projetos, novas ideias. Novas pessoas, nova vida... Mas parece que eu nunca consigo terminar ou concluir alguma coisa. Dizem que essa é a sina de algumas pessoas, iniciar sem concluir. Iniciar e não ver o processo e nem o término daquilo. Mas o quão incômodo isso é pra mim? Chega a um ponto de não ter fim porque eu simplesmente não quero que termine, por mais que eu não esteja mais suportando aquilo. Seja lá teimosia, apego... E se você acha que eu estou falando sobre relacionamentos, está muito, muitíssimo errado. Por mais que eu seja uma pessoa cheia de relacionamentos, estou falando mesmo das coisas que faço. 

Chega a um ponto em que eu não consigo não terminar de ler um livro mas também não querer dispensá-lo ou deixá-lo de canto, ao ponto de levá-lo comigo por semanas na bolsa sem ao menos tocar em sua capa, tendo o mesmo pensamento todos os dias "vou terminar de ler esse livro hoje". Uhum, tá. A gente finge que acredita.... 

Às vezes é a minha sina.
Começar sem saber o que vai dar. 
Ou largar as coisas sem terminá-las simplesmente pra não pensar no fim delas. 

domingo, 11 de janeiro de 2015

Voltas

É engraçado como o mundo dá voltas. Como ele gira, como ele faz com que às vezes, voltemos em pontos que pensamos que jamais voltaríamos. Pessoas que jamais voltariam e jamais implorariam por nós. Pessoa essa, na verdade, que jamais implorou pela minha presença e por quem eu sofri por estar perdidamente apaixonada, digamos. Não sei se consigo declará-lo como amor, pois amor mesmo eu fui conhecer mais tardiamente, mas a paixão, ah a paixão eu conheci com ele. 

E é por causa dessa paixão, dos jogos de sedução, da voz de malandro e do sorriso de lado que estou escrevendo este texto na madrugada de sábado para domingo. Ah, além do seu incrível poder de persuasão, é claro.

É estranho, confesso, escutar que alguém não vai desistir de mim. Que não se importa com quem estive, estou ou estarei. Que jamais desistirá e ainda por cima, que implora por uma chance. Implora. Eu li bem?

É estranho ver alguém que sempre te teve na palma de sua mão, assim. Mesmo que ele não saiba e que eu tente negar, às vezes acho que ainda estou. Minha vida gira, roda e se embola e sempre acaba voltando para ele, afinal. Mas eu jamais pensei que isso fosse acontecer. Eu quero você. Essas palavras me assustaram mais do que qualquer susto que já tomei em minha vida, e olha que sou uma pessoa extremamente assustada e ressabiada. Essas palavras entraram na minha mente, penetraram o meu coração e brincaram com o meu desejo e poder de sedução. 

Eu sei jogar esse joguinho e você sabe que eu sei ganhar. Do jeito que você mais gosta de perder.

Essas palavras me assombram e me aterrorizam ao mesmo tempo que brincam com os meus desejos e o fogo que há dentro de mim. Essas palavras me deixam com vontade de pegar o carro e sair dirigindo até encontrá-lo. Mas eu não vou. Não é justo. 

E não é justo com qualquer outra pessoa, mas sim comigo. Não é justo eu correr atrás de alguém só por causa de algumas mensagens e várias ligações insistentes no meu celular e até uma mensagem na caixa postal. Larga o que estiver fazendo e vem ficar comigo. Quero seu beijo.

Continue querendo. Continue desejando, implorando... continue com as mensagens, as ligações. Continue sofrendo de desejo - afinal, não conheço os seus sentimentos. Continue com tudo o que está fazendo, porque vou sim fazê-lo sofrer de desejo por mim. Eu vou sim fazer com que você pense duas vezes antes de me deixar escapar em todas às vezes em que teve oportunidade de me ter por completo. E vou fazer com que você saiba todos os dias que estou com alguém. E que este alguém não é você.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Stop hating your body!

Pode até ser que quem leia esse post possa achar estranho porque não é um assunto que eu sempre comento com as pessoas, somente com algumas pessoas mais próximas. Nunca fui muito de sair por aí em prol das causas sociais, levantando bandeira e tudo mais até porque eu acho que isso é uma besteira sem fim. Acho que podemos lutar pelas questões que achamos importantes e relevantes sem precisarmos levantar bandeira de nada, apenas lutar para que aquilo funcione do jeito que tem que funcionar e mude. Até porque se todo mundo fica levantando bandeira de tudo, vira fanatismo e a gente já viu historicamente que fanatismo é igual a problema. 

A questão é: eu nem era feliz com o meu corpo até pouco tempo atrás. Acho que me permito dizer que não era, porque embora eu não seja totalmente feliz com o meu corpo agora e queira sim perder alguns quilinhos, eu finalmente, depois de um bom tempo, estou me sentindo bonita. Eu sei que é difícil se sentir bonita com tantas pessoas apontando o dedo na sua cara e falando dos quilos que você tem que perder além de ver não só em revistas e televisão, mas em seriados, filmes, personagens de livros e até mesmo algumas meninas magras e gostosas no Instagram ou do nosso lado. 

Eu não sou uma menina gorda. É até estranho escrever isso, porque apesar de eu estar feliz com o meu corpo, eu me considero uma menina, vamos lá, gordinha ou um pouco gostosinha demais... Eu não tenho obesidade e muito menos obesidade mórbida. Tenho sim uma obesidade leve, mas quem não tem hoje em dia? Meu corpo tem uma forma que me agrada (como é bom dizer isso!), é um corpo curvilíneo e tenho sim o famoso panceps na minha barriga não chapada e minhas pernas são grossas. E até pouco tempo atrás, eu me martirizava por ter que usar uma calça número 44 ou 46. Ficava querendo bater em todas as atendentes magrelas das lojas de roupa que ousavam em me dizer que a modelagem dos shorts, saias e calças delas iam só até o 42 ou 44 no máximo com aquele sorriso irônico e irritante do tipo "você não é magra o suficiente para vestir a nossa marca" no rosto.

É difícil comprar roupas quando você tem coxas grossas e um quadril um pouco maior? Sim.  Falo isso por experiência própria e também por relatos de amigas que tem um corpo parecido com o meu ou também com corpos fora do padrão de beleza da sociedade atual. Principalmente porque o padrão de beleza - ao menos para o mundo da moda - ainda é a modelo magrela. No Brasil a gente vê isso mudando aos poucos, com o corpo que o pessoal chama de "corpo saudável", com músculos mais tonificados. Já tivemos o padrão de beleza panicat e agora o padrão de beleza que muitas ficam aí falando ser o modelo saudável de vida.  Mas mesmo assim, mesmo com as coisas mudando aos poucos, ainda tem gente que tenta fazer com que nos sintamos mal com nós mesmas. 

Eu não tô aqui pra ficar falando mal só das fábricas, empresas e lojas de roupas que vendem roupas de tamanhos ridículos. Eu tô aqui é para falar mal da sua atitude. Sim, da sua atitude. Ou pelo menos de alguém que você conheça. 

Quem são as pessoas para apontar o dedo na sua cara e dizer que você não presta? Ou dizer que você não serve para vestir tal roupa? Quem são as pessoas para fazer com que outra pessoa se sinta mal com o corpo que é DELA? Seja a pessoa magra, magrela, gorda, gordinha, gordona ou as nem gordinhas e nem magrelas, ou as que são mais curvilíneas ou as mais retas. Quem é você para achar que pode sair por aí rindo dela só porque ela tem alguns quilinhos que na sua mente e na sua concepção, são a mais? Quem é você para falar que uma pessoa é feia só porque ela é um pouco mais gordinha? 

Eu posso até não ter obesidade mas já escutei que eu era mais bonita quando estava mais magra. E daí? Existem várias pessoas que continuam me achando bonita e se arriscam dizer que estou muito mais bonita agora que estou mais cheinha do que quando eu estava mais magra. E outra, quem é você para fazer com que eu me sinta mal por ter quilos a mais? Que tipo de pessoa é você que procura somente padrão de beleza estético e físico pra se relacionar ou conversar com alguma pessoa?

Ninguém é melhor do que ninguém para diminuir uma pessoa ou reduzí-la ao seu peso. Nós somos muito mais do que físico ou material. Nós somos seres mentais e pra quem também acredita, espirituais. Nós temos muito mais do que somente o nosso corpo para dar. Ninguém é totalmente perfeito e sem defeitos para ficar somente apontando o defeito dos outros. Não gosta dos seus quilos a mais? Tranquilo! Vá na academia e malhe até perder esses quilos que não te satisfazem, mas por favor, não fique atazanando as outras pessoas por isso. Ninguém deve ser obrigado a seguir as opiniões de outras pessoas a força e ainda mais serem criticadas por não seguirem.

Eu tenho quilinhos a mais. E tudo bem! Não gosto deles e estou trabalhando para que eu possa ficar mais saudável (meus níveis de colesterol não estão muito bons) mas nem por isso eu tenho que me sentir mal pelo meu peso atual e nem sair por aí tentando convencer as pessoas de que o modelo de vida que eu sigo é o melhor.

Por isso, se você aponta o dedo nas caras das pessoas pelos seus defeitos ou pelo que você acha que seja um defeito delas, comece a olhar mais para si mesmo para conseguir aprender com eles mesmos. Afinal tudo o que a gente vê no outro, seja de defeitos ou qualidades, está em nossas cabeças, pois são as nossas concepções. Pare com isso, e viva a sua vida sem encher o saco de ninguém.

Esse texto é somente um desabafo de alguém que finalmente está conseguindo parar de odiar seu próprio corpo.
#StopHatingYourBody!