quarta-feira, 27 de maio de 2015

Escrever

Tenho pensado muito ultimamente na escrita e na pessoa em que escreve. Aqui no blog, eu. Mas no caso de tantas pessoas no mundo como autores, pensadores... Li que pessoas tristes escrevem e não sei muito bem se eu concordo ou não com isso. 


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.  
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.  
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa

Eu acho que o poeta, o escritor, autor... a pessoa quem escreve, pode sim estar triste. Mas pode não estar. Ela pode pegar daquele sentimento como uma fantasia usada em um desfile de carnaval, por exemplo. Ela não precisa estar na onda melancólica ou ser uma pessoa assim. Ela pode simplesmente "zombar" de nossas caras e usar disso para conseguir escrever algo e nos envolver com sua escrita... Não necessariamente estando triste. E isso varia também para o estilo de escrita da pessoa... o escritor usa os sentimentos como roupas que escolhemos para nos vestir a cada dia que passa.

E assim vamos escrevendo, mentindo e enganando nossos leitores, mas também os envolvendo com as melhores coisas que nos foram ensinadas no primário: as palavras. 

domingo, 17 de maio de 2015

Doce e amargo

É estranho como o doce e o amargo podem estar presentes e um mesmo tempo... Me sinto calma, tranquila, aquecida. Me sinto feliz, despreocupada... para logo depois sentir o peso do amargor da realidade. Realidade? Não sei se este é ou seria o nome certo para isso, mas talvez uma parcela dessa realidade que tanto me dói... 

É como se eu estivesse oscilando entre nuvens e terra firme... ou entre terra firme no gramado mais verde com buracos cheios de lama que me sujam a alma e o coração. São em momentos como este em que eu preciso que a chuva me limpe. Seja a chuva calma ou a tempestade cheia de raios. Às vezes prefiro e preciso da chuva e em outros momentos da tempestade, embora ela seja mais arriscada mas mais rápida. Quero me limpar de tudo, quero me despir por completo, quero sentir a mistura logo das minhas lágrimas quentes lavando o meu rosto em mistura dessa tempestade que nunca chega... Em alguns momentos parece que caminho entre buracos e quando finalmente vejo a grama, eu saio correndo... para cair novamente em mais um buraco depois. 

Eu quero logo parar de pisar em falso. Quero só as lágrimas quentes do meu rosto ou da água do chuveiro me limpando. Quero carinho, quero calor. Quero sentir somente o doce, pois o amargo muito a vida me proporcionou... 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sentada enquanto tocava seu violão, ela ficava com a sua cabeça para cima de olhos fechados enquanto batia violentamente nas cordas, emitindo o som mais forte que conseguia. O coração ferido sangrava, assim como as lágrimas que escorriam dos seus olhos vazavam e pulavam sem permissão. Sua mente estava tão cansada de pensar que ela já não sabia o que fazer para tirar a angústia de dentro do seu ser. Ela pensava, pensava e pensava mas já não queria mais pensar. Estava cansada de ouvir a opinião dos outros porque eram essas opiniões que faziam com que ela não conseguisse escutar as suas próprias. Os dedos lhe apontavam os caminhos para onde seguir, a deixando cada vez mais confusa e fazendo com que ela aumentasse a força com que tocava seu violão... 

A música nada mais era do que uma consequência da sua angústia, de sua confusão. A dor nos pulsos da força com que tocava era angustiante, mas menos angustiante do que os pensamentos que a impediam de sonhar e sentir. A ponta de seus dedos latejavam da força que fazia para apertar as cordas do violão, já velho de tanto uso e gasto... O que fazer? O que pensar? O que sentir. 

A angústia sangrava para todos os lados, assim como uma hemorragia não estancada. Sangrava em seus pensamentos, sangrava em seus sentimentos e sangrava em seu coração.

Vencida pelo cansaço, dormiu com seu violão do lado... 
Pela exaustão, não conseguiu sonhar. 

Mas conseguiu acordar.