terça-feira, 11 de agosto de 2015

Sofrimento

O sofrimento pode ser oriundo de diversas coisas. 

Ele pode vir a partir de uma desilusão amorosa, de uma perda profunda ou de uma morte simbólica. Pode vir de momentos difíceis, de mudanças ou no meu caso, na falta de mudanças. Pode vir por causa de trabalho, por causa de família, namorado, ex, marido, mulher, namorada e qualquer outra fonte que é importante para nós.

Afinal, se não fosse importante, não consideraríamos a ponto de sofrer. 

Depois de muito pensar e refletir, percebi que na verdade o que me traz dor é a reflexão. A reflexão me traz dor. É uma dor intensa, uma dor incômoda, uma dor que machuca profundamente o meu âmago. É a dor que faz com que meus olhos se encham de água e escorram em lágrimas lentas. É depois de pensar tanto e começar a perceber uma pequenina parte da minha imensidão de sentimentos que eu percebi que sim, reflexão dói e dói muito. 

O que fazer com isso? Chorar e me vitimizar? Me vitimizar pelos sofrimentos que passei, me vitimizar pela dor que eu sinto, pelos seus efeitos colaterais? Ou simplesmente ignorar a reflexão, deixá-la de lado e ligar o piloto automático? Afinal, seguir a vida sem refletir é tão mais simples e fácil... 

A reflexão dói sim. Dói porque ela traz coisas que antes estavam nas profundezas do nosso ser a tona. Ela traz lembranças que queremos esquecer, pensamentos que preferimos acalmar e vontades que tivemos que abafar. 

Mas é uma das dores mais bonitas que eu já senti. A dor mais profunda, a dor que mais tem poder de transformação. É a dor que alivia, é a dor que ilumina, é a dor que ajuda. 

Não estou exaltando a dor e estou longe de ser masoquista. Mas às vezes precisamos nos recolher em nossos seres, sozinhos e solitários por pequenos momentos para que possamos nos restabelecer. Nos conhecer. Entrar em contato com nós mesmos... e assim, dar o devido valor aos nossos momentos de alegria e felicidade.

Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão. (Jung)